Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

MISSÃO IMPOSSÍVEL: ESTÁGIO

Este é um período difícil para centenas de estudantes de turismo, já que nos aproximamos da época de realização de estágio curricular. É neste que muitos futuros profissionais depositam as suas esperanças contando que o mesmo lhes abram as portas de um futuro profissional risonho. Por vezes estes anseios deturpam a visão correcta da situação laboral do nosso país e muitos estudantes escolhem pelo coração e não tanto com a cabeça, esquecendo que as oportunidades que existem não devem ser desperdiçadas e a procura por estágio infinita até encontrar o local e a empresa que tanto desejamos. As oportunidades são raras.

Se nos convencemos que queremos trabalhar no futuro num hotel, porque não estagiar numa agência de viagens para aprendermos a outra face do turismo? Se temos uma vida laboral tão extensa pela frente, porque não ganhar experiência em vários subsectores do turismo. No fim de contas esta actividade é muito vasta mas a sua transversalidade e conexão são enormes e, como dizia um médico famoso - António Salazar -, "um médico que só de medicina sabe nem de medicina sabe". O mesmo se aplica ao turismo.

Porquê que seremos bons hoteleiros? Porque sabemos por dentro como funcionam as agências de viagens! Porquê que seremos bons agentes de viagens? Porque sabemos por dentro como funcionam os operadores turísticos! Porquê que seremos bons operadores turísticos? Porque sabemos por dentro como funcionam as companhias aéreas! E porquê que seremos bons nestas? Porque sabemos por dentro como funcionam os hoteleiros! O sistema turístico é um ciclo fechado!

Dezenas de alunos contactam-me preocupados porque as empresas/ instituições para onde enviaram pedidos de estágio não lhes respondem. E nada mais me aborrece que o desprezo que dão aos futuros profissionais. O que é que se passa na cabeça desses empresários ou directores que não se dignam a responder a um pedido de um estudante? Será que eles nunca passaram pelo mesmo? Façam favor, senhores profissionais, de tratar os estudantes com o respeito que merecem, nem que seja para enviar um simpático Não!

As mesmas dezenas de alunos, meus ou de colegas, contactam-me em desespero por não terem recebido resposta aos largos pedidos de estágio que fizeram, na esperança que a minha ajuda lhes facilite a colocação. Eu tenho muito prazer em ajudar mas se há coisa que me entristece é apresentar soluções bem confortáveis a alunos em desespero e estes recusarem porque não é aquilo que eles desejam. É urgente interiorizar que o mercado de trabalho não é aquilo que nós queremos mas aquilo que se nos apresenta.

Boa sorte e bom trabalho a todos os estagiários.

1 comments:

Patricia disse...

Boa noite professor/mestre, sou aluna do curso de Turismo na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Mirandela, Instituto Politécnico de Bragança.
Desde já os meus parabéns.
Acabei de ver o seu blogger, chamando-me atenção o seu último post, pois encontro-me em situação de escolha de estágio e de momento não sei onde fazer o mesmo. Será melhor estagiar num hotel com nome, como o Vintage House Hotel? Ou devo procurar outras áreas? já que também gosto de agências de viagem, operadores turísticos... Estou sem ideia.
Será possível ceder a sua ajuda?

Com os melhores cumprimentos e a continuação de uma boa carreira profissional

Patrícia Salgueiro

A "Regionalização" das Regiões de Turismo

Foi no último mês da ano que findou que o Conselho de Ministros decidiu substituir as velhinhas 19 Regiões de Turismo por apenas 5, argumentando que a "promoção de Portugal padece do excesso de organismos e entidades envolvidas neste processo, com a consequente perda de eficácia e desaproveitamento de recursos". Como resultado de uma decisão tão polémica é natural que a controvérsia continue e duas das principais associações envolvidas já se fizeram ouvir. Do lado da concordância temos a APAVT que já se congratulou por esta redução, defendendo que Portugal precisa de coesão e desta forma alcança-a. Do lado oposto a ANRET que considera esta decisão um "desastre", pois as próprias regiões de turismo já estavam a tomar posições para responder à necessidade de escala para o sector do turismo. Quanto a nós, é aguardar para ver a Lei, mas uma coisa é certa: estamos definitivamente na Era das mudanças cáusticas e dúbias por terras lusitanas!

REPRIMENDA

Não há dúvida que o turismo é muitas vezes vítima da inércia de funcionários e de funcionalismos alheios a esta actividade. Quem entra no nosso país por ar sujeita-se a enfrentar algumas horas de espera no aeroporto, depois do cansaço que uma viagem aérea emana. Ao sair do avião, quer provindo de dentro do espaço Shenguen, quer de outra parte do mundo, somos transportados de autocarro até uma sala do aeroporto onde somos depositados numa fila de pessoas que se agrupa abruptamente, a fim de cada um poder exibir a sua identificação ao oficial que insere o número do documento apresentado na procura de confirmação. Depois deste ensejo demorado, confrontamo-nos ainda com largos minutos de delonga na expectativa de recolhermos a bagagem que, contaríamos nós, já estar a passear no tapete rolante à espera que a recolhêssemos, devido ao nosso atraso numa fila ininteligível e por ninguém compreendida.
Uma coisa vos digo, visitei 9 aeroportos nos últimos dois anos, 8 dos quais europeus, e nunca fui cotejado em nenhum deles com uma demora tão expressiva e inconveniente como em Lisboa. Os terminais aeroportuários que visitei fizeram-me sentir os benefícios em ser cidadão da União Europeia, no que concerne a questões de controlo, justamente pelos benefícios que temos comparados com todos os outros. Porquê que em Lisboa não funciona assim? Será esta situação benéfica para o turismo em Portugal? Quanto tempo demorará a passar a palavra desta incompetência aeroportuária nacional? São questões sobre as quais irei reflectir intensivamente e actuar sem dilação dentro das minhas limitações. Aconselho a todos os leitores a fazê-lo igualmente.

Bom turismo!

Notícias do Turismo

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A SABER...

Organização Mundial do Turismo
Organismo especializado das Nações Unidas para debater as questões do sector turístico
A Organização Mundial do Turismo, com sede em Madrid, é o Organismo especializado das Nações Unidas para debater as questões do sector do turismo, constituindo uma fonte de conhecimentos especializados. A OMT congrega, actualmente, 150 países (membros efectivos) e sete Territórios, representados pelas Administrações Nacionais de Turismo, bem como mais de 400 Membros profissionais (membros associados), que representam as Associações do sector, Instituições de Formação e Empresas.
Os Órgãos da OMT são:
- Assembleia-geral: órgão supremo da OMT reúne todos os dois anos para aprovar o orçamento, o programa de trabalho e discutir os assuntos de capital importância para o sector turístico. A Assembleia-geral tem como órgãos subsidiários seis Comissões Regionais.
- Conselho Executivo: órgão de direcção da OMT, ao qual compete acompanhar a execução do programa de trabalho e orçamento da Organização. Reúne duas vezes por ano e é composto por 28 membros eleitos em Assembleia-Geral, mais a Espanha onde está sedeada a Organização. O Conselho Executivo tem como órgãos subsidiários oito Comités.
- Secretariado: dirigido pelo Secretário-geral, funciona em Madrid e é composto por cerca de seis dezenas de funcionários a tempo completo.
Actualmente, da agenda política da OMT fazem parte temas como: a Avaliação Económica do Turismo (Conta Satélite), o Turismo Sustentável, a Formação e a Gestão de Conhecimentos, as questões da Qualidade e a implementação do Código Mundial de Ética do Turismo.
Portugal é membro efectivo da OMT, estando a sua representação a cargo do Turismo de Portugal, I.P. que, neste contexto, acompanha a agenda internacional para o sector.
A Madeira, representada pela Secretaria Regional de Turismo, é membro associado, bem como a ATL (Associação de Turismo de Lisboa), o INATEL (Instituto Nacional de Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores), a APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo), a CTP (Confederação do Turismo Português) e a RTA (Região de Turismo do Algarve).


A força do turismo e dos seus aprendizes!